A Pecuária de Corte
O Brasil possui o maior rebanho comercial bovino do mundo com cerca de 190 milhões de cabeças. A pecuária foi introduzida pelos portugueses no início do século XVI e se tornou uma das principais atividades econômicas do país em pouco tempo. No início do século XX, alguns pecuaristas brasileiros importaram animais da raça Nelore da Índia, que por suas características adaptativas ao clima tropical dominou o cenário pecuário do país e até hoje é a principal raça de corte criada em todas as regiões brasileiras.
| Maiores Rebanhos Bovinos do Mundo (em milhões de cabeças) |
| País |
2006 |
2007 |
2008 |
2009 |
2010(1) |
CAGR |
| Índia(2) |
282,0 |
281,7 |
281,4 |
281,1 |
280,8 |
-0,1% |
| Brasil |
173,8 |
175,4 |
179,5 |
185,3 |
190,3 |
2,3% |
| China |
104,7 |
105,9 |
105,7 |
104,9 |
103,9 |
-0,2% |
| Estados Unidos |
96,6 |
96,0 |
94,5 |
93,7 |
92,7 |
-1,0% |
| União Européia |
88,5 |
89,0 |
88,8 |
88,4 |
88,0 |
-0,1% |
| Argentina |
55,7 |
55,7 |
54,3 |
49,9 |
49,7 |
-2,8% |
| Austrália |
28,4 |
28,0 |
27,3 |
27,0 |
27,8 |
-0,5% |
| México |
23,3 |
22,9 |
22,7 |
22,1 |
21,4 |
-2,1% |
| Rússia |
19,0 |
18,4 |
17,9 |
17,5 |
17,2 |
-2,5% |
| Canadá |
14,2 |
13,9 |
13,2 |
13,0 |
12,7 |
-2,8% |
| Outros |
117,4 |
117,8 |
112,7 |
103,1 |
84,8 |
-7,8% |
| Total |
1003,6 |
1004,7 |
998,0 |
986,0 |
969,3 |
-0,9% |
Fonte: USDA (1) Estimativa. (2) Rebanho não comercial.
O clima tropical, com elevada quantidade de iluminação solar e pluviosidade, é ideal para a produtividade vegetal, por isso o país é abundante em pastagens naturais e possui características ideais para pastagens cultivadas. Assim, a pecuária brasileira é baseada na criação extensiva, isto é, o gado é criado solto em pastagens, se alimentando apenas de capim, com suplementação de sal mineral e às vezes um complemento para acelerar seu crescimento, como um sal proteinado ou energético.
A pecuária brasileira, nos últimos 10 anos, passou por um processo de tecnificação e modernização nas áreas. O desenvolvimento científico-tecnológico nas áreas de reprodução, nutrição, genética, saúde e manejo animal, a modernização da atividade rural, obtida por intermédio de pesquisas e da expansão da indústria de máquinas e implementos, são fatores que contribuíram igualmente para transformar o país numa das mais respeitáveis plataformas mundiais do agronegócio. A adoção de programas de sanidade animal e vegetal, garantindo a produção de alimentos saudáveis, também contribuiu para esta transformação.
A criação de gado no Brasil é baseada na produção a pasto, produzido em abundância durante todo o ano. Desde 1996, é proibido o uso de proteínas de origem animal na alimentação dos bovinos. A utilização de promotores de crescimento também é proibida. O Brasil tem uma das mais completas campanhas de saúde animal, sendo considerado pela OIE (Organização Mundial de Saúde Animal) como “área de risco desprezível” para a ocorrência do chamado mal da "vaca louca" ou BSE (Encefalopatia Espongiforme Bovina).
Linha do tempo da pecuária moderna brasileira – pontos relevantes: • Década de 10 – 1ª Guerra Mundial e a escassez de alimentos na Europa (PARDI, 2006); • Década de 20 - Primeiros passos do SIF: os estrangeiros exigem que os produtos de origem animal sejam inspecionados sob o ponto de vista sanitário (PARDI, 2006); • Década de 30 – Exportações brasileiras na ordem de 97 mil toneladas equivalente carcaça (PARDI, 2006); • Década de 40 - Brasileiros vão à Índia em busca de Genética bovina. • Década de 50 - RIISPOA: Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal. Lei no. 1.283, de 18 de dezembro de 1950; • Década de 60 – Carência de fósforo afeta gravemente a produtividade do rebanho nacional (FABIANI, 1961); • Década de 70 – Introdução dos Capins do Gênero das Brachiárias: Introduzida nas áreas de cerrados do Brasil Central no início dos anos 70, as brachiárias expandiram-se rapidamente e provocaram um grande impacto na capacidade suporte das pastagens. - Processo de Federalização dos Serviços de Inspeção Sanitária e Industrial de Produtos de Origem Animal. Inspeção de carnes. Padronização de técnicas, instalações e equipamentos. Bovinos I. Sala de Matança, currais e Anexos. Processo liderado pelo Inspetor Chefe José Christovan Santos (PARDI, 2006). • Década de 80 – Como país tropical, o Brasil ainda não detém uma tecnologia avançada de produção animal e não dispõe de estrutura eficiente de serviços, como ocorre nos países desenvolvidos. A taxa de desmama está na ordem de 49,6%, taxa de abate 12,2% e peso médio das carcaças 200kg (Corrêa, 1989). • Em apenas duas décadas (90 e 2000) – Brasil é o segundo maior produtor mundial de carne com 9 milhões de toneladas equivalente carcaça e o primeiro exportador mundial com 2,4 milhões de toneladas equivalente carcaça projetados para 2007 (SECEX/MDIC – dados oficiais). Segundo dados do USDA o Brasil acessa apenas 43% do mercado mundial de carne bovina – Rússia (17%), UE 25 (11%), Egito(4%), Filipinas (3%), Taiwan (2%, Hong Kong (2%), Outros (5%). Os novos mercados, ou seja, a parte rica do mundo segue o protocolo sanitário norte americano que não reconhece o zoneamento de controle e erradicação da febre aftosa no Brasil – EUA (29%), Japão (14%), México (7%), Coréia do Sul (4%) e Canadá (3%).
A criação extensiva e a alta produtividade das fazendas, juntamente com o baixo custo de terras e mão de obra, torna a pecuária de corte brasileira uma das mais baratas do mundo, conseqüentemente, a carne bovina brasileira é uma das mais competitivas do mercado global. Como resultado, o Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo, tanto em volume como em receita, acessando mais de 180 diferentes mercados.
Ciclo da Pecuária de Corte
A pecuária brasileira possui um ciclo econômico com duração entre 3 e 5 anos, que se inicia com um período de abundância de fêmeas matrizes, alta produção de bezerros e conseqüente alta produção de carne. Com a quantidade de bezerros alta, o preço deste diminui e passa a ser mais lógico economicamente abater a matriz ao invés de produzir mais bezerros. Com o aumento da matança de vacas, a quantidade de bezerros diminui e seu preço aumenta, voltando a ser mais viável a retenção de fêmeas para reprodução.
Se olharmos para trás, nos anos de 1996 e 1997, a matança de vacas foi muito grande. Portanto, nos cinco anos seguintes houve redução na oferta de bezerros, baixa produção de carne e retenção de fêmeas para refazer os rebanhos. A partir de 2003, o início do ciclo se repetiu, com novo crescimento de abate de matrizes, que se estima ter durado até o final do ano passado. Assim, observamos uma baixa na produção de carne durante o ano.
Ao final de 2007 o valor da arroba sofreu, além da pressão do ciclo, a pressão gerada pelo incremento do PIB nacional com conseqüente aquecimento da demanda interna e também a pressão da alta geral das commodities resultando na intensificação da alta dos preços do gado.
Como padrão dos ciclos descritos acima, a retenção de matrizes foi iniciada ao final de 2007 e deve seguir uma crescente, com conseqüente incremento gradativo da produção de carne até cerca do ano 2010. Portanto, ainda prevemos um período de altos preços do gado.
Como estamos na fase do ciclo de menor oferta de animais, a arroba do boi tende a ser valorizada, gerando maior renda para o pecuarista, que poderá reverter-se em investimentos para a retomada do incremento de sua produção.
Tabela Comparativa do Preço de Produção
O gado brasileiro, por ser criado a pasto, produz uma carne com menos teor de gordura atendendo o desejo dos consumidores modernos. O abate de animais com idade média de 22 meses garante uma maior maciez e suculência da carne, de forma padronizada. Toda a carne destinada aos mercados externos é oriunda das áreas livres de aftosa. Hoje, de cada 3 quilos de carne bovina comercializados no mundo, um quilo é brasileiro. As exportações de carne bovina brasileira são destinadas para os países mais exigentes do mundo quanto à qualidade, a segurança, a origem do produto, o bem-estar animal, e aos aspectos sócio-ambientais.
Controle Sanitário e Controle de Qualidade
Durante os anos 90, o Brasil experimentou melhorias significativas no controle sanitário do rebanho, principalmente com relação à febre aftosa. É esperado que, em 2007, 95% do rebanho brasileiro esteja alocado em áreas livres de febre aftosa, como um resultado do aumento dos programas de vacinação. Os mapas abaixo mostram os estados brasileiros considerados livres da febre aftosa em fevereiro de 2007 e evidenciam a evolução quando comparados com os dados de 1998.

O gado brasileiro pode, em sua maioria, ser rastreado, o que possibilita a identificação da sua origem. Essa possibilidade de rastreamento foi implementada pelo governo brasileiro por meio do Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina, ou SISBOV. O SISBOV especifica quais empresas públicas e privadas são responsáveis (e os critérios) pelo monitoramento e certificação da origem dos produtos de carne bovina importados e domésticos. Toda carne exportada vem de gado rastreado. Além disso, o governo brasileiro atualmente monitora o maior programa de vacinação do mundo, no qual tanto o gado doméstico quanto o gado de países vizinhos são vacinados contra a febre aftosa.
Encefalopatia Espongiforme Bovina (BSE)
O padrão de consumo de carne bovina é, e continuará a ser, influenciado pelas questões de segurança de alimentos. A primeira crise de BSE (popularmente conhecida como “mal da vaca louca”) teve início em março de 1996, quando o governo britânico anunciou uma ligação entre a BSE e uma doença que afeta os humanos, a Doença de Creutzfeldt-Jakob. Essa descoberta causou uma redução imediata no consumo mundial de carne bovina. Diversas medidas foram introduzidas para controlar a difusão da BSE entre o gado e para minimizar o risco de exposição humana. Essas medidas de controle incluíram o regime OTMS (Over Thirty Months Scheme, ou plano de abate de cabeças de gado com mais de 30 meses) que envolveu a compra e a destruição de todo o rebanho de gado do Reino Unido com mais de 30 meses de idade, o programa CAPS (Calf Processing Aid Scheme, ou Plano de Ajuda ao Processamento de Carne de Vitelo), que envolveu a destruição de vitelos da União Européia com menos de 20 dias de idade, a medida Selective Cull, ou abate seletivo, que exigiu a morte do gado com maior risco de BSE, e os planos de identificação e a possibilidade de rastreamento do gado. A BSE está ligada ao gado que é alimentado com ração com base animal. O Brasil é considerado um país livre de BSE e visto como menos vulnerável à doença em virtude de utilizar a criação extensiva como método de criação do gado e por ser proibido por lei alimentar os animais com rações de origem animal. 
Febre Aftosa
A febre aftosa é uma doença contagiosa, ocasionada por um vírus, e que afeta animais bovinos, suínos, bubalinos, entre outros. A contaminação humana devido à ingestão de carnes e outros produtos de mesma origem não foi comprovada. A transmissão entre seres humanos também não foi relatada.
A importância da febre aftosa em termos de saúde pública seria mínima se não fossem considerados os impactos econômicos e sociais tendo em vista os prejuízos sobre a produção, produtividade e rentabilidade da pecuária. A doença causa a redução da disponibilidade do produto no País, como também, resulta na redução das exportações tendo em vista os embargos de países importadores impostos em decorrência da doença.
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Última Atualização em 26 de abril de 2010 |
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