A Indústria de Couro
Couro é um subproduto da indústria de carne, sendo que a principal fonte de matéria-prima para a indústria de couro é a pele do gado, cujo valor representa aproximadamente de 5% a 15% do valor de mercado de um animal.
A indústria mundial de couros e produtos de couro mudou significativamente nos últimos 20 anos. Durante este período, as indústrias de curtume e fabricação de couro migraram de países desenvolvidos, como os Estados Unidos, para países em desenvolvimento, onde a fabricação de couro é mais barata.
Como conseqüência do aumento do poder de compra do consumidor no mundo, a demanda mundial para couro e produtos de couro vem expandindo de forma contínua nos últimos anos. A taxa projetada do crescimento de demanda varia entre regiões, refletindo estilos de vida e o impacto de diferentes fatores, inclusive renda e crescimento de população e preferências do consumidor para produtos de couros genuínos.
Globalmente, é mais provável que o calçado continue a ser o maior uso-final para couros e peles, e, por conseguinte, a demanda para sapatos de couro possivelmente continuará determinando, em grande parte, a demanda agregada para couros e peles. Além disso, o uso de couro tem aumentado por outros usuários finais, incluindo fabricantes de automóveis, estofados e roupas. Espera-se que consumidores em localizações mais abundantes devem continuar a por ênfase em produtos de alta qualidade, incluindo produtos de couro. Geralmente espera-se, como resultado disso, que a demanda para couro e produtos relacionados ao couro continuem aumentando em países desenvolvidos, particularmente na América do Norte e naqueles países Europeus com indústrias tradicionais de couro e curtume, como a Itália, por exemplo. Durante os últimos anos, China cresceu significativamente como fabricante de couro acabado e mobília.
As indústrias de curtume e produtos de couro de países desenvolvidos também sofreram uma mudança considerável nas duas décadas passadas. A quantidade exportada de peles e de couro cru desses países tem se reduzido à medida que quantias crescentes de produtos acabados de couro têm sido convertidas em calçado, artigos de vestuário e outros produtos manufaturados de couro para os mercados domésticos e exportação.
Barreiras comerciais, incluindo tarifas de importação, impostos de exportação, quotas e proibições em exportações, também impedem exportação de couros e peles e produtos acabados e semi-acabados de couro de alcançar seu potencial econômico por inteiro. Apesar de algumas melhorias, as tarifas de importações em produtos de couro em muitos países permanecem altas quando comparadas a outros produtos.
A seguir um gráfico com os maiores exportadores de couro no mundo:

Nos últimos 20 anos, o fornecimento de couro cru no Brasil cresceu significativamente enquanto a oferta mundial permaneceu constante, com pequenas reduções geralmente em países que anteriormente eram grandes produtores de couro.
O setor brasileiro de curtume é muito pulverizado, com cerca de 800 curtumes, que geram cerca de 50.000 empregos e possuem moderno parque industrial, absorvendo mão-de-obra altamente qualificada. Desde 2000, o setor investiu milhões de dólares em modernização e, em termos internacionais, é um dos mais bem-equipados tecnologicamente.
O consumo de couro no Brasil é limitado (principalmente por causa de seu clima tropical e poder de compra), o que torna o País um exportador natural deste produto, visto como um forte competidor em termos de preço, resultado de seus baixos custos de mão-de-obra e o tamanho de seu rebanho de gado.
O destino principal do couro brasileiro no mercado doméstico atualmente é o setor moveleiro, com 42%, seguido do calçadista com 31% e do automotivo com 18%. A tendência é os setores de estofamento e automotivo, cujos preços são mais elevados, alcançarem, juntos, 70% até o final da década.
Couros e peles e seus produtos derivados são a maior fonte de lucros de exportação para alguns países em desenvolvimento. Nas últimas duas décadas, à medida que couros e peles produzidos por países em desenvolvimento foram crescentemente processados internamente antes de serem exportados, a participação de países em desenvolvimento no valor do mercado global de exportações de couro tem aumentado. Como os custos de produção de couro continuam aumentando, devido em parte aos impactos ambientais, leis e regulamentos mais restritivos, é provável que a produção de couro continue a diminuir em países mais desenvolvidos.
O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de couros – com o processamento na faixa de 45 milhões de unidades e embarque de cerca de 33 milhões de peças, segundo a CICB e o Secex, e vem crescendo a cada ano. A seguir uma tabela com as exportações mensais de 2006 e 2007.
| EXPORTAÇÕES MENSAIS TOTAIS DE COUROS E PELES - 2006 e 2007 (US$ 1,00 FOB) |
| MÊS |
2006 |
2007 |
VARIAÇÃO |
| JANEIRO |
112.481.705 |
176.601.526 |
57,0% |
| FEVEREIRO |
128.958.715 |
173.816.556 |
34,8% |
| MARÇO |
161.725.650 |
202.027.031 |
24,9% |
| ABRIL |
140.157.676 |
187.924.209 |
34,1% |
| MAIO |
160.020.644 |
199.336.950 |
24,6% |
| JUNHO |
159.964.493 |
180.358.178 |
12,7% |
| JULHO |
150.025.144 |
161.763.498 |
7,8% |
| AGOSTO |
173.272.600 |
188.394.096 |
8,7% |
| SETEMBRO |
158.289.472 |
156.422.657 |
-1,2% |
| OUTUBRO |
171.280.411 |
200.433.093 |
17,0% |
| NOVEMBRO |
175.778.180 |
175.121.955 |
-0,4% |
| DEZEMBRO |
186.397.157 |
191.731.435 |
2,9% |
| TOTAL |
1.878.351.847 |
2.193.931.184 |
16,8% |
FONTE : SECEX/MDIC e CICB

O Brasil atua em todos os mercados relevantes, exportando tanto o couro “wet blue” (não acabado), como o “crust” (semi-acabado) e o couro acabado.
A tabela abaixo mostra o crescimento obtido nas vendas externas de couro por estágio de processamento:
|
|
2006 |
2007 |
VARIAÇÃO 2007/2006 (%) |
| Nº COUROS |
US$ |
Preço Médio |
Nº COUROS |
US$ |
Preço Médio |
Nº COUROS |
US$ |
Preço Médio |
| Couros bovinos salgados |
345.727 |
2.693.441 |
7,79 |
85.202 |
992.118 |
11,64 |
-75,4% |
-63,2% |
49,5% |
| Couros bovinos wet-blue |
17.783.172 |
639.639.158 |
35,97 |
15.330.989 |
702.263.094 |
45,81 |
-13,8% |
9,8% |
27,4% |
| Couros bovinos crust |
4.157.813 |
247.416.389 |
59,51 |
4.950.624 |
381.325.684 |
77,03 |
19,1% |
54,1% |
29,4% |
| Couros bovinos acabados |
12.293.008 |
920.272.468 |
74,86 |
12.502.723 |
1.081.357.827 |
86,49 |
1,7% |
17,5% |
15,5% |
| Total |
34.579.720 |
1.810.021.456 |
45 |
32.869.538 |
2.165.938.723 |
55 |
-4,9% |
19,7% |
30% |
FONTE: SECEX/CICB

A indústria brasileira de processamento de couros está aumentando, de forma crescente e consistente, sua participação no mercado mundial, a despeito das dificuldades representadas pelas altas taxas de juros, pesada carga fiscal, sobrevalorização do real sobre o dólar e pela morosidade no ressarcimento dos créditos fiscais acumulados nas exportações.
Os embarques de peças de maior valor agregado (semi-acabado e acabado) representaram participação acima de 67% do total da receita das exportações brasileiras, contra 64% em 2006. O saldo da balança comercial do setor curtidor alcançou US$ 2 bilhões, em 2007, contra US$ 1,7 bilhão em 2006 (crescimento de 17%).
O couro brasileiro, em 2007, foi exportado para 85 países, sendo que os principais destinos foram a China (participação de 36,0%), a Itália (participação de 27,4%) e Hong Kong (12,0%).
Estados Unidos, Vietnã, Indonésia, Coréia do Sul, Tailândia e Vietnã são outros mercados importantes para o couro nacional. A tabela a seguir mostra as exportações brasileiras de couro de 2007 para os principais mercados.
A tabela a seguir demonstra os mais importantes países importadores de couro brasileiro e a porcentagem de couro brasileiro que foi exportada para tal país no ano terminado em 31 de Dezembro de 2007:
| PRINCIPAIS DESTINOS DAS EXPORTAÇÕES DE COUROS E PELES Jan a Dez de 2007 |
| País |
2006 (US$ 1,00 FOB) |
2007 (US$ 1,00 FOB) |
Participação em 2007 (%) |
Variação 2007/2006 (%) |
| Itália |
504.648.158 |
625.719.105 |
28,52% |
24% |
| China |
381.363.654 |
490.394.212 |
22,35% |
29% |
| EUA |
201.208.680 |
239.690.425 |
10,93% |
19% |
| Hong Kong |
285.931.540 |
237.782.962 |
10,84% |
-17% |
| Indonesia |
35.177.170 |
53.639.837 |
2,44% |
52% |
| Vietnã |
35.785.268 |
53.604.284 |
2,44% |
50% |
| Coréia do Sul |
44.205.121 |
41.713.714 |
1,90% |
-6% |
| Países Baixos |
31.123.474 |
38.211.048 |
1,74% |
23% |
| México |
22.394.030 |
37.853.391 |
1,73% |
69% |
| Taiwan |
31.891.671 |
33.882.971 |
1,54% |
6% |
| Sub-Total |
1.573.728.766 |
1.852.491.949 |
84,44% |
18% |
| Demais Países |
304.623.081 |
341.439.235 |
15,56% |
12% |
| TOTAL |
1.878.351.847 |
2.193.931.184 |
100,00% |
17% |
Fonte: SECEX/CICB
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Última Atualização em 18 de abril de 2008 |
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